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arquivo | 15 abril 2012

Kassab: a política pela política

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Gilberto Kassab: a política pela política

A capacidade de transitar entre diversos grupos e o extraordinário talento de articulador transformaram o prefeito de São Paulo em um dos personagens mais influentes do Brasil de hoje. Entenda como e por que

Carolina Freitas

Veja – 15 abril 2012

 O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (Lailson Santos/VEJA)

 “Não vou fazer de nenhum cargo que eu queira ocupar uma obsessão. Se surgirem circunstâncias para que eu seja governador, senador ou ministro, vou ocupar o cargo. Se não, não vou me sentir frustrado”

Era o ano de 1981. Os alunos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) dividiam-se entre barbudos de chinelo e alinhados de camisa de botão. Os barbudos tachavam os alinhados de direitistas. Os alinhados rebatiam aos barbudos: comunistas. Os barbudos queriam discutir política, criticar o governo e fazer greve. Os alinhados, conquistar melhorias para a faculdade, mesmo que a custo da bajulação ao governador biônico da época, Paulo Maluf. Os barbudos levaram para a eleição do Centro Acadêmico da Engenharia Civil (CEC) daquele ano toda a sua ideologia – em vão. A chapa “Chopp no CEC”, dos moços alinhados, ganhou com larga margem, com a seguinte tática: levaram raparigas que circulavam nos arredores da USP para dentro do campus e ofereceram aos universitários litros e litros de chopp durante os três dias de votação. Os “marqueteiros” da chapa do chopp queriam mostrar que era possível aplicar o pragmatismo ao movimento estudantil. E provaram a tese assim que eleitos: convidaram Maluf para ser patrono da Pauli-Poli, tradicional torneio esportivo entre a Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Poli. Meses depois do afago, a verba para reforma dos laboratórios da Engenharia foi liberada e a obra, iniciada. Entre os estrategistas do grupo vencedor estava Gilberto Kassab, hoje com 51 anos, prefeito de São Paulo e presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), criado há um ano, em 13 de abril de 2011.

Políticos buscam o poder. Para alguns, o combustível dessa busca é a ideologia. Para outros, o desejo de implementar projetos grandiosos. Gilberto Kassab não pertence a nenhum desses times. Prestes a deixar a prefeitura de São Paulo, seu primeiro cargo de eleição majoritária, não carregará a marca de um grande realizador.

Fundador do PSD, não hesitou em afirmar que a legenda não era “nem de esquerda, nem de direita, nem de centro”. Kassab, no entanto, tem um apetite incomum pelo jogo político. Sua capacidade de transitar entre diversos grupos e seu talento de articulador acabaram por transformá-lo em um dos personagens mais influentes do Brasil de hoje.

O PSD nasce de uma lógica que se tornou comum aos partidos brasileiros após a redemocratização: as legendas advogam interesses, não princípios. Descontentes oriundos de dezenas de partidos acorreram à legenda de Kassab. Agora, busca-se uma bandeira comum a defender. “O PSD foi construído numericamente, mas, ideologicamente, não existe”, afirma o historiador Marco Antônio Villa, professor do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-graduação em Ciência Política da Universidade de São Carlos. “Eles têm até 2014 para mostrar a que vieram, senão estarão condenados a ser uma sublegenda. ” Admirado entre os aliados, o pragmatismo de Kassab tem outro nome para seus desafetos: esperteza. “Kassab não sabe perder. Ele só tem interesse pelo poder, por isso, não sabe fazer oposição”, diz um dirigente do DEM. Para ser uma qualidade, a capacidade de articulação precisa ser usada em prol dos interesses da população. “A maleabilidade só interessa se empregada para melhorar a administração pública”, diz Marco Antônio Villa. “A política é boa quando melhora a qualidade de vida do povo.

Metas – A ação de maior vulto do prefeito foi desencadeada no primeiro mandato: a implantação da Lei Cidade Limpa, que limitou a mídia exterior e transformou a paisagem de São Paulo – para melhor. No início de seu segundo mandato, em 2009, o prefeito se comprometeu a cumprir 223 metas até 2012. São Paulo foi a primeira cidade do Brasil a implantar, por lei, um Programa de Metas e Kassab é o primeiro prefeito a ter o mandato avaliado por essa métrica. A oito meses do fim de seu termo como prefeito, setenta metas foram cumpridas e uma não foi iniciada – o investimento de 300 milhões de reais no Rodoanel Mário Covas. Entre as realizações estão a construção de ambulatórios de especialidades, a urbanização de favelas e a construção de um complexo viário na Zona Leste. Das 152 metas em andamento, 61 foram consideradas atrasadas em relatório apresentado no final do ano passado pela Secretaria de Planejamento. Ou seja, é grande a probabilidade de elas não serem atingidas até o fim do mandato. É o caso de três hospitais prometidos para dezembro, mas ainda com as obras em processo de licitação, e de ações para melhorar as condições de trânsito e transporte na capital. “O que não foi feito até agora dificilmente será feito até o fim do ano”, afirma o sociólogo e cientista político Humberto Dantas. “Daqui até dezembro só dá tempo de tomar medidas pontuais e rápidas, ou seja, paliativas, o que não funciona em uma cidade da dimensão de São Paulo. ”

A tímida eficiência da gestão, acompanhada pelo vasto noticiário político sobre o empenho de Kassab em fundar um novo partido, derrubaram a popularidade do prefeito. De acordo com o Instituto Datafolha, de março 2009 a março de 2011, a aprovação de Kassab caiu de 75% para 56%. O índice de paulistanos que considera a administração ruim ou péssima subiu de 23% para 43%. Sentado à cabeceira de uma mesa comprida em seu gabinete, no 5º andar do Edifício Matarazzo, no Centro, Gilberto Kassab diz não se preocupar com os dados negativos. “A população é muito simpática à minha gestão e à minha pessoa. No dia a dia oscila, mas a verdadeira avaliação da gestão é feita na campanha. É na campanha que as pessoas param para refletir”, diz o prefeito.

“Chega ano eleitoral e todos os pontos ruins da cidade são apontados como se fosse fácil resolvê-los. Se algum candidato disser que vai resolver tudo, vai quebrar a cara, porque ninguém consegue resolver tudo. ”

O estrategista – A eleição de 1981 para o Centro Acadêmico da Engenharia, a da chapa do chopp, foi a primeira de que Kassab participou, sem cargo formal, mas com o título de melhor cabo eleitoral do grupo. “Ele sempre teve um forte poder de convencimento”, conta um colega da faculdade. O episódio deixou claras três características do prefeito que o seguem por toda a vida: flexibilidade, poder agregador e bom-humor. “Não havia nada que irritasse mais o grupo dos comunistas da faculdade do que ironia”, lembra um politécnico contemporâneo de Kassab.

A infância do prefeito Gilberto Kassab (Arquivo pessoal/VEJA)

Nos tempos de Liceu Pasteur, tradicional colégio paulistano, Kassab pregava peças nos colegas só para vê-los assustados. Não raro ele repete a cena com vereadores e secretários de governo, se fazendo passar, ao telefone, por outra pessoa ou informando que tomou uma decisão absurda para, em seguida, dar boas risadas. Na faculdade de engenharia ninguém falsificava com tanto talento quanto ele assinaturas nas listas de presença. Bastava ver uma vez só a original para repeti-la à perfeição. Entre amigos ele ainda solta um ou outro palavrão, mas ficou comedido depois que foi morar em Brasília em 1998, onde exerceu o cargo de deputado federal até 2004. Antes, cumpriu mandato como vereador e deputado estadual em São Paulo. Foi em Brasília que Kassab adquiriu uma generosa barriguinha de que tenta, mas não consegue se livrar. Os vilões: doce, massa, pão, refrigerante e cerveja.

A maturidade agregaria à personalidade de Kassab a capacidade de pensar e agir estrategicamente e um trunfo raro entre políticos: ele ouve mais do que fala. A grande escola foram as eleições presidenciais de 1989, as primeiras eleições diretas após a ditadura militar, quando ele, aos 29 anos, trabalhou pela candidatura de Guilherme Afif Domingos. “Gilberto era o meu faz-tudo. Organizava a agenda, programava as viagens, cuidava do programa de televisão e fazia a arrecadação dos recursos para a campanha”, diz Afif. “Foi aí que ele conheceu o Brasil e os políticos brasileiros. Foi uma campanha única e Kassab foi o grande operador de alianças. Isso só se aprende na prática. ”Afif acabou derrotado nas urnas, em 6º lugar, com 4,5% dos votos, mas a experiência e os contatos feitos por Kassab naquela época permaneceram. Alguns dos personagens de 1989 ressurgiram em 2011 para apoiar a fundação do PSD – um exemplo é o vice-governador da Bahia, Otto Alencar. “Ele criou uma rede e soube mantê-la ativa”, diz Afif. “Ele é articulador e cumpridor de compromissos. Isso faz com que tenha hoje no mercado político a confiabilidade de todos os lados. ” O vice-governador paulista recebeu o pupilo em seu escritório em 1984, por indicação de um tio de Kassab. O jovem de 24 anos queria conhecer mais da política. Afif incluiu Kassab no Conselho de Jovens Empresários da Associação Comercial de São Paulo, que servia como um celeiro para a criação de novas lideranças empresariais. Em 1986, Afif fundou o Partido Liberal e se candidatou à Assembleia Nacional Constituinte. Com a ativa participação de Kassab, foi eleito com mais de 500 000 votos.

Gilberto Kassab durante a campanha de Guilherme Afif Domingos para presidente da República, em 1989 (DEDOC/VEJA)

Em 1993, Kassab seria apresentado a seu segundo padrinho, Jorge Bornhausen, que procurou ajuda de Afif para reestruturar o PFL em São Paulo. Afastado da vida pública para administrar seus negócios, Afif recomendou Kassab para fazer o serviço. E o trabalho do jovem, que migrou do PL para o PFL (futuro DEM), agradou a mais um cacique. Bornhausen pagaria pelo favor nas eleições de 2004, quando bateu na mesa e impôs Kassab como vice de José Serra. O tucano resistiu, mas, aos poucos, ao longo da campanha, acabou arrebatado por Kassab, que se tornou seu aliado de primeira hora.

O negociador – O caminho político de Kassab daqui por diante passa pela disputa pelo governo de São Paulo nas eleições de 2014. Se a aliança com o PSDB se mantiver até lá, ele tentará substituir o vice Afif Domingos na chapa pela reeleição de Geraldo Alckmin. No entanto, se o PSD se fortalecer o suficiente para sustentar uma candidatura própria, Kassab pode se tornar um concorrente de Alckmin no pleito. Existe ainda a possibilidade de Kassab concorrer ao Senado para solidificar sua atuação nacional. Para completar o cenário, até 2014 o plano é que a relação com o PSB de Eduardo Campos já tenha evoluído para uma fusão, o que colocaria em xeque a hegemonia PT-PSDB. Alckmin poderia estar mais tranquilo a respeito de sua reeleição se tivesse aceitado uma proposta oferecida pelo prefeito no início do ano. Assim que obteve o registro do PSD na Justiça Eleitoral, Kassab procurou o governador e disse que garantia apoio do partido a ele nas eleições de 2014 se o PSDB aceitasse Afif como candidato a prefeito da coligação em 2012. Alckmin não concordou com o trato e disse que os tucanos teriam candidato próprio, escolhido por meio de prévias. Ao mesmo tempo em que fechou as portas para o PSD, o governador abriu espaço em sua equipe para o DEM e entregou o comando de uma secretaria de estado a Rodrigo Garcia. O democrata era um dos mais próximos amigos de Kassab, mas não aceitou a saída do prefeito do DEM e rompeu com Kassab após uma ruidosa discussão no gabinete de Rodrigo. Alexandre de Moraes (DEM), que tinha status de super secretário da gestão Kassab, também se tornou, no processo de fundação do PSD, um desafeto do prefeito. E as feridas ainda estão abertas. Procurados pela reportagem, tanto Rodrigo quando Alexandre se recusaram a falar sobre Kassab.

Lua de mel: o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab na inauguração do Complexo Prates (AE/VEJA)

Com a negativa de Alckmin sobre 2012 e o mistério de José Serra em torno de sua possível candidatura, Kassab procurou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ofereceu apoio ao candidato petista Fernando Haddad. Desde o início, ele deixou claro ao PT com quais hipóteses trabalhava – e uma delas era a coligação com Serra caso ele decidisse se lançar candidato. “O PSDB queria nos pressionar contra a parede. Só que nós derrubamos a parede e passamos para o outro lado dela”, afirma uma alta liderança do PSD. Por semanas, Lula e Kassab conversaram sobre como viabilizar a aliança. O prefeito chegou a comparecer a um congresso do PT – e foi vaiado por militantes, sem perder a fleuma. O acordo não vingou por resistências dentro do PT e pelo repentino anúncio de Serra de que concorreria nas prévias tucanas. Kassab decidiu apoiar o seu mentor, sem, no entanto, fechar qualquer condicionante para as eleições de 2014. “Não apoio Serra por uma questão de lealdade, mas de convicção. Serra é o melhor candidato”, afirma Kassab. “Eu não tinha que apoiar Serra. Eu o apoiei porque eu quis. ”

O agregador – Nos dois momentos mais críticos de sua carreira, Kassab conseguiu convencer seus seguidores a confiar na vitória. Mesmo com menos de 10% das intenções de voto, ele repetia a aliados no início da campanha de 2008: “Eu vou ser eleito”. E foi. Uma boa dose de marketing transmutou o político de bastidor em um ‘cara bom de serviço’. Quando o vereador Marco Aurélio Cunha, então líder do DEM na Câmara, levou a ele a angústia dos colegas de Casa (e a dele próprio), que tinham decidido deixar seus partidos para migrar para o PSD, o prefeito respondeu: “Eu garanto que vai dar certo. Pode dormir tranquilo. ” E deu. Kassab mantém, até os dias atuais, laços dos tempos de colégio e de faculdade – como com os mais de dez colegas de Politécnica que compõem sua equipe no comando da prefeitura. “Ele é um rojão. Dedicado, focado e cuidadoso”, define Rubens Chammas, secretário municipal de Planejamento e amigo de Kassab desde os 5 anos de idade. Os dois estudaram juntos no tradicional Liceu Pasteur, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, na Poli e na faculdade de Economia da USP.

Formatura de Gilberto Kassab na USP (Arquivo pessoal/VEJA)

Na casa de Chammas, ainda criança, Kassab se deliciava com os doces árabes preparados pela mãe do amigo. Atualmente, os quitutes são garantidos por uma cozinheira que trabalha em sua casa e pela equipe da cozinha do Edifício Matarazzo, que abastece o gabinete com grelhados, sanduíches, frutas e gelatinas. Kassab nunca aprendeu a cozinhar. “Só ovo e salsicha”, ri-se.

O filhão – No colégio, Kassab nunca despertou desconfiança de que seguiria a carreira política. Era quieto e aplicado em sala de aula, mas elétrico na hora do recreio. Não passava uma festa junina sem participar da dança de quadrilha e chamava a atenção das professoras pelo capricho dos trabalhos escolares. “Eles tinham aula de trabalhos manuais e até botão ele pregava. A mãe dele punha sempre uma rendinha em volta do trabalho”, conta Maria Aparecida Soutto Mayor, que deu aulas de português para Kassab na 3ª e 4ª séries do Ensino Fundamental e hoje, aos 80 anos, trabalha como coordenadora de ensino do Liceu Pasteur. “Ele sempre foi um moço muito direito. ” Kassab herdou os olhos claros da mãe, a professora Yacy, e a habilidade para falar do pai, o médico Pedro Salomão. O casal ficou desapontado ao saber que o filho, formado em Engenharia e Economia, entraria para a política. Pedro Salomão respondia com suspiros de preocupação a uma amiga de longa data da família sempre que ela elogiava a atuação pública de Kassab. “É porque ele não é seu filho”, dizia. Incomodavam o pai as maledicências dos adversários do filho. Pedro Salomão foi até morrer em 2009 aos 79 anos um grande conselheiro para Kassab. A mãe morreu em 2006, aos 71 anos, vítima de um infarto. Gilberto, como é chamado pela família e amigos, é o quinto de uma prole de sete irmãos, com apenas uma mulher, Márcia. É ela a anfitriã dos almoços de domingo da família Kassab. Márcia mudou-se para o apartamento do pai quando ele adoeceu e, depois da morte de Pedro Salomão, passou a viver lá com o marido e os dois filhos. Kassab mora em outra unidade no mesmo condomínio de alto padrão, no Jardim Paulistano, na Zona Oeste de São Paulo. Quem trabalha com o prefeito sabe que nem adianta tentar agendar compromissos para os domingos entre 13 e 16 horas. O almoço com os irmãos e sobrinhos é um dos poucos momentos de lazer de que ele não abre mão. Nos demais horários e dias, Kassab devota-se à política. Faz questão de visitar a casa de aliados e de recebê-los em sua residência. Na campanha à reeleição, em 2008, despachava com sua equipe das 6 às 8 horas, em casa. Só então saía para cumprir as agendas de prefeito e de candidato. “Aos domingos eu tenho um dia bem tranquilo. Mesmo no sábado minha rotina é mais leve. Tenho o passatempo de qualquer cidadão: família, clube, cinema, futebol e… política”, diz Kassab. Ele batuca com um lápis no tampo de madeira. Por duas vezes ao longo da conversa deixa o lápis escapar por entre os dedos e cair na mesa: quando fala de sua admiração pela presidente Dilma Rousseff e quando responde sobre seus planos para o futuro: “Não vou fazer de nenhum cargo que eu queira ocupar uma obsessão. Se surgirem circunstâncias para que eu seja governador, senador ou ministro, vou ocupar o cargo. Se não, não vou me sentir frustrado. ”Há alguém em São Paulo, no entanto, que ficará triste se Kassab não cumprir o destino que ela imaginou para ele: a professora Cidinha Soutto Mayor. “Eu gostaria que ele fosse presidente da República. Ele tem tudo para ser. Seria o primeiro aluno do Liceu Pasteur a presidir o Brasil. ”

Professora Maria Aparecida Soutto Mayor, agora diretora de ensino da escola Liceu Pasteur (Ivan Pacheco/VEJA)

 A política pela política GK

https://veja.abril.com.br/politica/gilberto-kassab-a-politica-pela-politica/