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noticias | 03 maio 2019

Presença do País na Internet avança e se destaca no mundo

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A extensão ponto Br (.br), que identifica as páginas da Internet oriundas de atividades e iniciativas no Brasil, está completando 30 anos. Nesse período, a presença do País na rede mundial de computadores experimentou avanços extraordinários, num processo que teve participação importante do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), também durante a gestão Gilberto Kassab, no período 2016 a 2018.

Na entrevista a seguir, o diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br (o NIC.br), engenheiro eletricista Demi Getschko, graduado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, mestre e doutor pela instituição, um dos pioneiros da internet no Brasil, fala sobre a situação atual do setor. Getschko é conselheiro do CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), órgão multissetorial – que envolve governo e sociedade civil, com a participação do MCTIC, e executa decisões e projetos relacionados à gestão da rede no país.

Para ele, o investimento feito pela gestão Kassab no programa Internet para Todos merece destaque. “São de muita importância as iniciativas que busquem a inclusão da maior quantidade possível de brasileiros na rede, passando pelas conexões de escolas, bibliotecas e outras instituições públicas”.

Ele considera também que “o NIC foi muito bem-sucedido no estabelecimento de Pontos de Troca de Tráfego Internet (PTT, ou IX-Internet Exchange), chegando ao quarto lugar mundial nesta área” e enfatiza a importância do “trabalho de estatísticas e métricas Internet (TIC), desde as referentes ao acesso domiciliar e empresarial, passando por escolas, acesso de crianças, cultura e saúde. Nesta atividade, o envolvimento do NIC (via Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Tecnologia da Informação – CETIC) ganhou reconhecimento mundial, a ponto do CETIC ser considerado centro regional Unesco na área de estatísticas, gerando treinamento para outros países, especialmente os latino-americanos e os países de língua portuguesa”.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista:

Qual é hoje o papel do CGI e do NIC.br, e que mudanças avalia que o ambiente da rede no País e essas entidades vivenciaram nos últimos anos?

O NIC.br é entidade que consubstancia o Registro.br, responsável pelo domínio .br que acaba de completar 30 anos de profícua existência. O CGI.br, criado em 1995 e reformulado em 2003, é um órgão multissetorial que, além de responder pela política de gestão do .br, toma ações em prol da Internet no Brasil. Tem sido considerado um modelo internacional de governança, tanto pela sua configuração multissetorial como orientação que fornece ao desenvolvimento da Internet no país. A simbiose CGI-NIC, valendo-se dos recursos privados gerados pelos registros de domínios sob o .br, tornou possível uma atuação marcante. Na área internacional, por exemplo, pode-se citar a realização de dois encontros da ICANN no país (São Paulo e Rio de Janeiro) e de dois IGF, Internet Governance Fórum (Rio de Janeiro e João Pessoa), fazendo do Brasil o único país a ter sediado o IGF por duas vezes. O “Decálogo para a Internet no Brasil”, promulgado em consenso pelo CGI após sólidos debates, foi apresentado ao mundo no IGF de Vilna (Lituânia) e recebido com entusiasmo pelos presentes. O encontro NetMundial, realizado em 2014 e marcado pela assinatura do Marco Civil da Internet, foi evento único no mundo e gerou dois documentos de orientação subscritos pelos cerca de mil presentes (de cerca de 100 países). O CGI, que se reúne regularmente a cada mês e toma suas decisões por consenso, tem gerado uma série de recomendações, na forma de resoluções, visando ao bom desenvolvimento da rede no país.

Tecnicamente, o Registro.br tem tido um funcionamento impecável, com servidores alocados também na Ásia (Coréia do Sul), na Europa (Alemanha) e nos Estados Unidos. O .br é o sétimo domínio de país com mais registros, e o terceiro, mundialmente, com mais máquinas e dispositivos encontrados sob ele.

A presença do País na rede mundial de computadores experimentou avanços extraordinários num processo que teve participação importante do MCTIC durante a gestão Gilberto Kassab.

Houve um grande debate relacionado à lei de proteção de dados e à governança deste tema. Qual sua opinião, de uma forma geral? E como avalia o encaminhamento dado pelo MCTIC na gestão encerrada em dezembro?

Após o Marco Civil, o próximo passo era ter uma lei de proteção de dados pessoais. O CGI-NIC há mais de 10 anos realizava seminários anuais sobre o tema e é com muita alegria que vimos a lei ser promulgada.

Pessoalmente, com muito orgulho, compareci à assinatura da Lei de Proteção de Dados, em 2018.

Tema de relevo para o setor é a Internet das Coisas, que reorienta o uso da rede a cada dia. Como vê, sob esse prisma, o futuro da Internet no Brasil?

Internet das Coisas representa futuro promissor para uma maior inclusão do Brasil neste segmento econômico. Especialmente por suas dimensões, o uso de conectividade e de inteligência nas operações de sensores e equipamentos distribuídos (como é, por exemplo, o caso do agronegócio) será uma ferramenta fundamental para a competitividade e eficiência nesta área. Trata-se de um segmento que precisará lançar mão de diversas tecnologias, desde 5G, a redes amplas mas com baixo consumo de energia, passando por WiFi, Bluetooth etc.

No âmbito do CGI e do NIC.br que leitura faz das ações empreendidas pela gestão do MCTIC que se desenvolveu entre 2016 e 2018?

Pessoalmente avalio de muita importância as iniciativas que busquem a inclusão da maior quantidade possível de brasileiros na rede, passando pelas conexões de escolas, bibliotecas e outras instituições públicas. O NIC foi muito bem-sucedido no estabelecimento de Pontos de Troca de Tráfego Internet (PTT, ou IX-Internet Exchange), chegando ao quarto lugar mundial nesta área. Também muito importante é o trabalho de estatísticas e métricas Internet (TIC), desde as referentes ao acesso domiciliar e empresarial, passando por escolas, acesso de crianças, cultura e saúde. Nesta atividade, o envolvimento do NIC (via CETIC) ganhou reconhecimento mundial, a ponto do CETIC ser considerado centro regional UNESCO na área de estatísticas, gerando treinamento para outros países, especialmente os latino-americanos e os países de língua portuguesa.

“Internet para Todos” é iniciativa crítica para criar a possibilidade do acesso à Internet aos brasileiros de regiões distantes.

Projeto priorizado pela gestão foi o “Internet para Todos”, com o Satélite Geoestacionário, que deverá levar acesso à banda larga a todo o país. Que importância tem esse instrumento para o Brasil?

“Internet para Todos” é iniciativa crítica para criar a possibilidade do acesso à Internet aos brasileiros de regiões distantes. Para isso a conjugação de infraestrutura terrestre com fibra óptica disponível, mais os recursos satelitais para onde fica muito difícil passar fibra, é muito importante. Conectar os brasileiros é dar-lhes oportunidades mais niveladas de participar no mundo atual.